quarta-feira, 15 de junho de 2011

Mc 5, 25-34


“... atravesso a multidão de homens,
e eles não sentem o que eu sinto.
Cruzo seus caminhos e eles não vêem a minha dor.
Pergunto e não me respondem.
Grito e não me ouvem.
Olham-me, abraçam-me, usam-me,
compram-me, vendem-me, crucificam-me...
Ressuscitam-me num céu bem distante deles.
Pesa em meus ombros um fardo imenso ...
Não percebem que estou ferida,
que minhas entranhas estão sangrando,
que a vida se esvai em mim,
que a terra chora em minha carne!
Correm, ocupados, preocupados com previsões,
equações, sanções, eleições.
Brigam com conceitos, defendem leis,
punem com princípios e não vêem que estou bem perto,
chamando, chamando...
Continuo buscando de dia e de noite a vida em mim.
Com olhos bem abertos e cansados,
sem cessar procuro um alívio para minha dor,
um alimento para minha esperança...”

Ivone Gebara

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